Essa noite saí á rua e o vento forte , o mesmo vento que bagunça os meus cabelos e me esconde o rosto levou o meu guarda-chuvas . Não desistir do passeio , mas o olhei firmemente , e o vi levando-o consigo para longe de mim .
Quando não mais o via, eu vi os pingos que biliscavam-me os olhos . Esses pingos estilhiçam de mim os esbojos dos terrenos inóspitos que habito, é um processo facíl para os pingos : eu paro e eles trabalham sobre o meu corpo , me deixam nua .
Você vem envolve as mãos nos meus ombros , me olha e me leva . Revolve-me sempre que preciso . Eu me encho de expectativas , e você canta ao vento mal que tirou-me o meu guarda chuvas :
- minha flor .
Aquilo soa , aquilo encanta, aquilo anima . Você .
Os sonhos voltam a despontar em mim , te abraço , lhe toco os labios; O vento , o mesmo que bagunça os meus cabelos e me esconde o rosto lhe arranca de mim, desta vez eu nao o olhei , eu tentei agir e segurei no laço de teu sapato, porque para onde ele levou o meu guarda-chuvas e para onde ele vai lhe levar eu tenho que ir . Pedi , implorei , mas o rabujento por mim nada fez .
A expectativa de ser sua flor , deixar de lado a ocupação de flores silvestres que nao necessitam de cuidados está dentro de mim , e nesses dias de chuva , torno ir a mesma rua com um outro guarda-chuvas menos querido que o meu primeiro a espera dele , para pedir que me leve ; ele vem e nem o pobre guarda - chuvas ele leva .
ele sussura em mim :
- Papoila.